Siga-nos nas Redes:

Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva

Notícias

O que são diretrizes e qual sua importância?

Diretrizes clínicas constituem recomendações desenvolvidas para orientar médicos e pacientes sobre "cuidados de saúde apropriados", ou seja, quando os benefícios esperados excedem significativamente as consequências negativas, em situações clínicas específicas.

A importância das diretrizes clínicas fundamenta-se na constatação de que ocorrem variações na utilização de exames e medicamentos e quando há aplicação inapropriada de procedimentos e incerteza acerca dos resultados destes.

Quem são os favorecidos pela implementação de diretrizes corretamente elaboradas?

Existem vários interessados nas diretrizes clínicas: médicos, pacientes, pagadores, operadores de planos de saúde, tomadores de decisão e reguladores públicos. Estes podem utilizá-las em decisões acerca de que cuidados reembolsar ou encorajar e na avaliação de decisões, ações ou desempenho dos usuários primários.

Quais os objetivos das diretrizes?


Os objetivos das diretrizes seriam produzir, a partir da melhor evidência científica combinada ao julgamento clínico, recomendações clinicamente válidas e operacionais acerca de cuidados apropriados, que serão usadas para sensibilizar médicos, pacientes e outros, no sentido de mudar suas práticas para obtenção de melhores resultados e diminuição de custos. Elas podem incluir indicações e contraindicações, benefícios esperados e riscos do uso de tecnologias em saúde (procedimentos, testes diagnósticos, medicamentos etc) para grupos de pacientes definidos. Podem ser utilizadas na prática com o propósito de garantia de qualidade e subsidiar políticas de reembolso ou cobertura na medicina pública e privada.

Cinco relevantes propósitos de diretrizes clínicas são:

a) Orientar a tomada de decisão clínica por pacientes e médicos

b) Educar indivíduos e grupos

c) Avaliar e garantir qualidade na assistência

d) Orientar a alocação de recursos na assistência à saúde

e) Fornecer elementos de boa prática médica

Plano de ação da Comissão de Diretrizes e Protocolos da SOBED


A diretriz como ferramenta para a melhoria da qualidade da assistência tem sido amplamente considerada na assistência à saúde.

Há modelo proposto de gerência de qualidade visando à melhoria contínua que essa comissão procurará seguir:

a)    Avaliação de necessidades prioritárias (levantamento de temas);

b)    Identificação de processos e resultados que possam responder às necessidades (elaboração de oficinas de elaboração de diretrizes);

c)    Avaliação de provedores com base em padrões profissionais (escolha das equipes de elaboração de diretrizes - indicação de pessoas por serviços de referência na área);

d)    Definição das questões considerando-se a população atendida e objeto (diagnóstico, prognóstico, terapia);

e)    Estruturação da questão na forma PICO, a partir da qual será elaborada estratégia de busca para a revisão sistemática da literatura;

f)    Realização da revisão inicialmente nas bases primárias, podendo até haver consulta nas bases secundárias, a fim de complementar a avaliação crítica da informação obtida. Extrapolação ou versão de guidelines internacionais ou consensos de especialidade, abordando o mesmo tema, não devem ser realizadas;

g)    Processo de tradução da evidência em diretriz clínica ou recomendações após a avaliação crítica (medidas, grau de recomendação e aplicabilidade) das evidências obtidas. Assim, alguns tópicos do texto devem ser obedecidos: ser objetivo e afirmativo; recomendar ou contraindicar; apontar claramente benefícios, riscos e danos; apontar controvérsias; fornecer opções; informar a ausência de evidências consistentes; explicitar possíveis conflitos de interesse, tendo independência editorial; definir recomendações de fácil identificação, que devem estar vinculadas à evidência que lhes dá suporte, bem como ao grau de recomendação; ser atualizável, com o processo de atualização explicitado. O texto não deve citar nomes comerciais da tecnologia utilizada nas intervenções diagnósticas ou terapêuticas;

h)    Interação, discussão e reavaliação até a versão preliminar;

i)      Revisão da versão preliminar por experts (monitoramento do desempenho e comparação com as expectativas - aplicação da metodologia Agree II);

j)      Divulgação (congresso, site etc);

k)     Publicação AMB, paper;

l)      Provisão de retorno para provedores e clientes (site da SOBED);

m)   Implementação de melhorias.

Como as diretrizes serão apresentadas e atualizadas?


As novas diretrizes concebidas pela Comissão de Diretrizes e Protocolos da SOBED serão apresentadas em eventos oficiais da SOBED e disponibilizadas para consulta pública, coleta de informações, sugestões e críticas através do site. Futuras atualizações serão realizadas em três anos, pautadas na evolução de estudos cli?nicos controlados, em opiniões de usuários (médicos, pacientes e população) e atualização da legislação. A metodologia de revisão prevê acesso à consulta pública com objetivo de coletar informações, sugestões e críticas.

O que realizamos no período inicial 2013-2014?


Discutimos amplamente a necessidade de atualização das diretrizes publicadas pela SOBED, adequação da metodologia de elaboração e qualificação da equipe de edição.

A Associação Médica Brasileira (AMB) foi consultada e, a partir desse marco, iniciamos o processo de qualificação. Um grupo de 15 médicos recebeu treinamento para a elaboração das diretrizes, sob a chancela da AMB. A seguir, elegemos os temas das primeiras diretrizes com base na frequência de utilização.

Nossas metas de curto prazo


O primeiro grupo realizou treinamento (Oficina de Diretrizes) em 25 de maio de 2014 e está finalizando duas diretrizes relacionadas ao preparo e sedação do exame endoscópico, com a colaboração da Sociedade de Anestesiologia:

1) Sedação I: legislação, preparo pré-exame (concluída - será encaminhada para revisão por experts)


2) Sedação II: doenças pré-existentes, medicações  (em andamento)


O segundo grupo passou por treinamento (Oficina de Diretrizes) em 1º de agosto de 2014 para elaborar uma diretriz sobre limpeza e desinfecção de equipamentos endoscópicos, com apoio da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI):

3) Limpeza e desinfecção: legislação, pré-limpeza, limpeza, desinfecção e conservação (em andamento)


Após elaboração da versão preliminar, cada diretriz será avaliada por um grupo de experts de serviços de referência nacional, antes da submissão à publicação e apresentação em congresso.

Acreditamos que será profícua a disponibilização de um canal no site da SOBED para captação de comentários, críticas e sugestões, a fim de conhecer a opinião dos usuários (médicos e pacientes) e prover informações para atualizações futuras.

Metas de médio prazo e seleção de novos temas


Já temos propostas de elaboração de novas diretrizes:

1.     Aplicação da endoscopia nas doenças inflamatórias intestinais

2.     Câncer colorretal


3.     Antibioticoprofilaxia em procedimentos endoscópicos



Comissão de Diretrizes e Protocolos da SOBED


Cláudio L. Hashimoto